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17/03/2009
Esgoto brasileiro pesa mais na economia do que em outros países


O setor do sanemaneto básico representa 0,59% do valor agregado total da economia nacional, enquanto que em outros países (outros vinte países estudados), a média percentual é de apenas 0,26%. Em números redondos, o segmento movimenta cerca de R$ 20 bilhões ao ano no Brasil. Estas são algumas das conclusões de um estudo realizado pelo Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (Neit), do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. A pesquisa constatou ainda que a tendência desse setor no Brasil, em grande parte nas mãos de empresas estatais ou de economia mista, é crescer ainda mais, já que o Brasil está muito distante da universalização dos serviços de sanemaneto básico, principalmente no que se refere ao esgoto. "O peso desse segmento é maior no Brasil do que em economias desenvolvidas, como Japão, Reino Unido, Bélgica, Alemanha, Itália etc”, afirmou o professor Célio Hiratuka, coordenador do Neit, ao Jornal da Unicamp.

Financiada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a pesquisa também sugeriu uma revisão do sistema de tarifação, para que houvesse uma diferenciação do valor da tarifa, com pessoas com maior renda (mais de três salários mínimos) pagando mais que os que tenham renda menor. Segundo eles, isso permitira o crescimento do sistema de sanemaneto básico do país. Atualmente, segundo o Jornal da Unicamp, cerca de 30% dos domicílios brasileiros não recebem fornecimento de água e 60% não têm rede coletora de esgoto. O jornal informa ainda que no Brasil cerca de 80% das doenças e 65% das internações hospitalares estão relacionadas em alguma medida com a falta de saneamento básico.

O estudo, que levou um ano para ser concluído e contou com a participação de técnicos do Banco Mundial, simulou os impactos diretos e indiretos da produção do setor de saneamento básico sobre a economia, e concluiu que a cada 1% de aumento da demanda pelos serviços, seriam gerados R$ 158 milhões em valor da produção, R$ 29, 7 milhões em salários, R$ 7,4 milhões em contribuições sociais e R$ 6,9 milhões em impostos diretos e indiretos. Também seriam gerados perto de 1,5 mil empregos, sendo 700 dentro e 800 fora do setor. Para levantar esses dados, os pesquisadores elaboraram uma metodologia que delimitou a cadeia e considerou o contexto do comércio internacional, onde está outra vantagem deste setor, já que todos os insumos podem ser adquiridos no Brasil, o que não pressiona por importações.

Veja também:

Divulgação desse estudo pelo Jornal da Unicamp

Página do Neit

 

Palavras-chave:
Saneamento básico, esgoto, Sabesp, estatais, tarifas públicas

 

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