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16/03/2009
Doenças venéreas em mulheres são subavaliadas no Brasil


O método de diagnóstico adotado no Brasil para detecção de doenças sexualmente transmissíveis em adolescentes e jovens adultas é falho. Este método, o mesmo recomendado pela Organização Mundial da Saúde e adotado pelo Ministério da Saúde no Brasil, compõe-se de um questionário com pontuações referentes a práticas sexuais, vida reprodutiva e sintomas ginecológicos. Esta metodologia oficial de análise consegue detectar apenas 32% das pessoas que realmente têm alguma infecção do tipo. Este é um dos resultados de um estudo que verificou de três formas diferentes se 472 mulheres sexualmente ativas (entre 15 e 19 anos) tinham dois tipos infecções transmissíveis sexualmente (clamídia e gonorréia). Elas foram submetidas ao questionário adotado pelo Ministério da Saúde, a um exame ginecológico e depois a exames laboratoriais (mais precisos, realizados mediante a coleta de material no útero). Enquanto a investigação oficial detectou apenas 32% das contaminadas (apontadas nos exames laboratoriais), o exame ginecológico saiu-se melhor, mas também foi falho, detectando apenas 43,5% das mulheres contaminadas. Os pesquisadores também consideraram o percentual de mulheres com clamídia especialmente alto (14,5% das mulheres sexualmente ativas, enquanto 2,1% apresentaram gonorréia).

Maria de Fátima C. Alves, uma das pesquisadoras da Universidade Federal de Goiás que participou da pesquisa (feita em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais), acredita que os resultados são preocupantes, não só pela verificação da alta contaminação em jovens, mas também porque diversos estudos verificaram que as infecções sexualmente transmissíveis ampliam o risco de contaminação pelo vírus da Aids (HIV). Os pesquisadores também acreditam que é urgente a revisão das metodologias oficiais de diagnóstico de doenças venéreas em mulheres, com a adoção de métodos mais baratos e eficazes.

Veja também:

Resumo desse artigo na revista BMC Medicine

Texto desse artigo em BiomedCentral

 

Palavras-chave:
Doenças venéreas e sexualmente transmissíveis, aids, ginecologia, medicina, epidemiologia

 

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