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05/03/2009
Pesquisa encontra plágios e evidencia desorientação de revistas científicas com relação ao problema
O plágio é um problema constantemente apresentado ao ambiente
acadêmico, embora ninguém hesite em condená-lo formalmente,
e sua descoberta é sempre motivo de constrangimento. Talvez por isso,
as revistas científicas mantenham procedimentos absolutamente distintos,
ética, moral e tecnicamente, quando se defrontam com o problema. Uma
pesquisa realizada por dois anos pela Universidade do Texas em Southwestern
(EUA) na base de dados Medline, uma das mais respeitadas no ambiente científico,
descobriu 207 pares de artigos científicos com sinais evidentes de plágio.
A descoberta foi feita por meio de um software que compara textos (chamado eTBLAST)
e que descobriu 70.000 citações altamente similares. Os pesquisadores
enviaram questionários aos autores de 162 desses pares de artigos, assim
como aos editores das revistas onde estes foram publicados, garantindo anonimato
a todos. Também foram enviados questionários a 174 editores das
revistas envolvidas. Eles receberam respostas em 143 casos.
As reações foram altamente discrepantes entre os editores. Entre
os que responderam, onze admitiram que nunca tinham se defrontado com casos
de potencial plágio e admitiram não saber como lidar com esta
situação. A distribuição de questionários
também gerou 83 investigações internas pelos editores,
sendo que 46 delas levaram a uma retratação formal. Quase metade
dos casos não resultaram em qualquer tipo de ação por parte
dos editores e em 12 casos os editores indicaram que os casos envolvendo suas
publicações não seriam revistos.
Para os pesquisadores, as atitudes discrepantes dos editores demonstra o quanto
o assunto é difícil para as publicações científicas,
levando inclusive à recusa em apurar evidentes cópias de literatura
científica. Muitos editores temem que a divulgação de provável
plágio, mesmo sendo feita por eles próprios, arranhe o nome a
publicação, ou então querem evitar o estresse de lidar
com uma investigação que evolva colaboradores.
Quanto aos autores dos artigos envolvidos, 93% dos autores dos artigos originais
(provavelmente plagiados) afirmaram não saber da duplicação.
Quanto aos autores dos artigos suspeitos de serem réplicas, dos sessenta
que retornaram aos questionários, 28% negaram qualquer procedimento errôneo,
35% admitiram coletar material de literatura publicada previamente, 22% atribuíram
os problemas a co-autores e 17% afirmaram não saber como seus nomes constavam
nos artigos em questão.
Com base no mesmo software, foi criada uma base de dados só para artigos
plagiados, ironicamente chamada Deja
vu. A pesquisa foi coordenada por Harold
Garner, do Centro Médico da UT Southwestern, e será publicada
na edição de 6 de março da revista Science.
Veja também:
Divulgação
desse estudo pela UT Southwestern
Base de dados só para artigos
plagiados Deja vu
Resumo
de estudo similar na revista Nucleic acids research (via PubMed)
Página
do autor do estudo, Harold Garner
Página
da Assessoria de Imprensa da UT Southwestern
Reportagem
de setembro de 2007 sobre suposto plágio na Universidade de São
Paulo
Palavras-chave:
Epistemologia da ciência, revisão por pares, revistas científicas, literatura científica
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