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03/03/2009
Cérebro de mulher com pouco interesse sexual reage de forma diferente a cenas eróticas
Alguns estudos indicaram que chega a até 40% o percentual de mulheres
entre 18 e 59 anos que apresentam desinteresse sexual, tecnicamente classificado
como desordem de interesse sexual hipoativo (HSDD), o que é geralmente
apresentado como uma queixa pelas pacientes nos consultórios médicos.
Um estudo realizado com 36 mulheres heterossexuais (dezesseis com essa desordem
e vinte sem o problema) verificou que há diferenças marcantes
no funcionamento cerebral entre os dois grupos. Todas foram submetidas à
avaliação da atividade cerebral por aparelhos de diagnóstico
por imagem (ressonância magnética), enquanto assistiam um vídeo
que intercalava cenas eróticas com cenas "neutras" (montanhas,
ondas, flores etc). Elas também relatavam seus momentos de escitação
vaginal e esta era medida pelos pesquisadores. Pelo menos três partes
do cérebro das mulheres com a desordem mostrou muito mais atividade durante
as cenas eróticas -- o giro medial frontal, o giro frontal inferior direito
e o putâmen bilateral. Numa outra parte do cérebro, o córtex
entorrinal bilateral, ocorreu exatamente o contrário: a atividade nas
mulheres sem a desordem de interesse sexual hipoativo foi muito maior do que
nas mulheres que apresentam o problema.
Duas partes do cérebro em que houve aumento da atividade (o giro medial
frontal e o giro frontal inferior direito) já tinham sido, em outros
estudos, associados, respectivamente, ao aumento de atenção ao
próprio estado mental e à supressão de respostas emocionais.
Os pesquisadores acreditam que o aumento da atenção das mulheres
à própria resposta que seus corpos deram ao estímulo sexual
possa ter alguma participação na disfunção sexual.
Quanto à maior atividade no córtex entorrinal, verificado entre
as mulheres sem a desordem, os pesquisadores acreditam que está relacionada
a sua maior capacidade, na comparação com as que têm HSDD,
de se entregarem às memórias emocionais relacionadas a eventos
sexuais.
Apesar dessas descobertas, os pesquisadores tomaram o cuidado de não
estabelecerem causas ou efeitos. O estudo pode tanto mostrar que prestar muita
atenção em seu próprio corpo pode causar inibição
sexual, como também que a ausência de desejo sexual pode interferir de alguma forma na ausência ou não de auto-consciência corporal. O mesmo vale no que se refere à
capacidade de resgatar lembranças eróticas. São dúvidas
que ainda impedem a utilização dessas descobertas em abordagens
clínicas padronizadas.
A pesquisa foi
publicada na edição de 23 de janeiro da revista Neuroscience,
e é assinada, entre outros, por Bruce Arnow, professor de psiquiatria,
e Leah Millheiser, professora de obstetrícia e diretora do Programa de
Medicina Sexual Feminina da Universidade de Stanford (EUA).
Veja também:
Divulgação
desse estudo pela Universidade de Stanford
Resumo
desse estudo na revista Neuroscience
Resumo
desse estudo na PubMed
Página
de um dos autores do estudo, Bruce Arnow
Palavras-chave:
Medicina, neurologia, saúde sexual, sexo, relações de gênero, neurobiologia, excitação sexual
Agência
de Notícias Prometeu ©. Todos os direitos reservados.
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