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27/02/2009
Poluição causa doença em golfinhos no Paraná
Os golfinhos do estuário de Paranaguá, ao norte do Paraná,
estão sendo contaminados por dois tipos de doenças de pele causadas
pela poluição marítima. Já chega a 17% o porcentual
da população de golfinhos contaminada por lobomicose e doença
nodular da pele. Tais doenças têm aparecido em populações
situadas próximas a portos em todo o mundo. Elas podem ser causadas pelas
atividade poluentes de portos (transporte de água de lastro de outros
portos, despejo de óleo, lixo etc) e, no caso de Paranaguá, também
pelo despejo do esgoto in natura na baía de Guaraqueçaba e os
efeitos da criação ilegal de camarão na região.
A pesquisa que concluiu por esses efeitos danosos junto aos cetáceos
foi realizada por um grupo de pesquisadores liderados pelo biólogo Marcos
César de Oliveira Santos, professor dos programas de Pós-Graduação em Biologia da Unisinos e
em Zoologia do Instituto de Biociências (IB), câmpus de Rio Claro
da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em artigo a
ser publicado na edição de março da revista Marine
Environmental Research (volume 67, cap. 2, pág. 63-68). A
pesquisa também foi
divulgada pelo portal da Unesp.
O estudo baseou-se em mais de uma centena de fotografias, avaliadas por especialistas
em doenças de pele de cetáceos, como a veterinária Marie
Van Bressem, do Grupo Médico de Conservação de Cetáceos,
localizado na Colômbia. A lobomicose, que afeta 3,9% dos golfinhos, caracteriza-se
pela formação de ostensivas placas na pele, enquanto a doença
nodular de pele (que atinge 12,6% dos golfinhos), causa nódulos e úlceras,
traumatizando a pele e gerando feridas.
As fotos foram feitas no período de 2006 a 2007. A incidência
das doenças foi considerada alarmante pelos pesquisadores, já
que um estudo por monitoramento fotográfico similar com a mesma espécie
de golfinhos (Sotalia guianensis) na região próxima de Cananéia,
feito num período mais abrangente (1996-2007) não havia detectado
a incidência dessas doenças. Os pesquisadores acreditam que o dano
ambiental das águas da região pode explicar evolução
tão rápida da dessas doenças. Os pesquisadores defendem,
no estudo, a possibilidade de uso da ocorrência dessas doenças
como um indicador de ambiente marítimo poluído.
Veja também:
Divulgação
do estudo pela Unesp
Resumo
do estudo na revista Marine Environmental Research
Palavras-chave:
Biologia marinha, mar, costa brasileira, poluição do mar, poluição márítima, Cananéia
Agência
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