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18/02/2009
Bactéria seletiva: prevalência de infecção é maior entre os mais pobres
A bactéria Helicobacter pylori, que age no revestimento mucoso
do estômago e causa úlceras, gastrite e câncer, atingindo cerca de metade da população
mundial, é muito mais presente entre pessoas mais pobres. A prevalência
em crianças provenientes de famílias de baixa renda é de
47,8%, contra 13,5% e 3,2% para as crianças oriundas de famílias
de rendas média e alta, respectivamente. Além disso, 16,7% das
crianças de famílias de baixa renda são infectadas desde
os primeiros meses de vida; 20% das crianças de famílias de renda
média são infectadas a partir do primeiro ano de vida; enquanto
18,1% das crianças de famílias de alta renda são infectadas
somente a partir do terceiro ano de vida. Estas são algumas das conclusões
de um estudo coordenado pelo professor José Murilo Robilotta Zeitune,
do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências
Médicas (FCM) e do Gastrocentro da Universidade de Campinas (Unicamp).
O estudo foi
divulgado pelo Jornal da Unicamp (edição nº 419).
Os pesquisadores apontam que as razões para essa incidência maior
entre pessoas de baixa renda pode estar em muitas variáveis, como qualidade
da água ingerida, condições de higiene, densidade de moradores
que compartilham o mesmo quarto e condições de saneamento básico.
A diferença, apontou a pesquisa, não se dá apenas entre
diferentes classes sociais, mas também entre regiões. Foram avaliadas
para o estudo 218 crianças, de 0 a 6 anos, de Teresina (Piauí)
e Campinas (São Paulo), distribuídas por três grupos de
acordo com a renda familiar. Constatou-se, por exemplo, que a diferença
também é representativa na comparação entre crianças
de famílias de alta renda de Teresina e de Campinas.
O estudo também alerta para o fato de que a infeção se
dá logo nos primeiros meses de vida, o que sugere a adoção
de cuidados mais intensos com a detecção do problema por pediatras.
A detecção realizada para esta pesquisa foi feita por meio da
avaliação do antígeno fecal da bactéria (HpSA),
utilizando método imunoenzimático, não-invasivo e eficaz.
Este poderia, segundo o estudo, ser considerado um método de avaliação
alternativo aos que são mais utilizados atualmente, histologia e teste
da uréase, e que poderia ampliar o diagnóstico do problema de
forma precoce.
Veja também:
Divulgação
desse estudo pelo Jornal da Unicamp
Estudo
sobre a prevalência de H. pylori em crianças
Revista
Arquivos de Gatroenterologia (site do Scielo)
Palavras-chave:
Gastroenterologia, medicina social, saúde pública, epidemiologia, gastrite, úlcera, câncer
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