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16/02/2009
Dois terços de pessoas com problemas de pele são estressadas
Não é novidade a relação entre estresse e o surgimento
de acne, manchas, dermatites, psoríase, fungo, queda de cabelo e até
vitiligo. Esta relação é uma velha conhecida dos dermatologistas
e é uma das mais estudadas na área da psicossomática. Um
estudo realizado por pesquisadores gaúchos concluiu que chega a dois
terços (62,9%) o percentual de pacientes que apresentam esses problemas
de pele que passam por momentos de estresse, índice considerado altíssimo
e que aponta claramente a relação. Os pesquisadores tentaram investigar
qual era o nível de estresse em que os pacientes estavam e se havia algum
tipo de relação entre esse nível de estresse e o tipo de
problema na pele. Concluíram que a maioria estava numa fase de "resistência",
intermediária entre o estresse leve e o grave (as quatro fases de estresse
consideradas foram alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão).
Foram avaliadas 205 pessoas, com média de idade de 47 anos, sendo que
46,6% tinham entre 40 e 49 anos e 30,5% entre 20 e 29 anos. A pesquisa é
assinada por Martha Wallig Brusius Ludgwig e Margareth da Silva Oliveira, ambas
do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), entre outros, e
foi publicada
na revista Estudos de Psicologia (Campinas).
A fase de resistência do estresse, na qual estava a maior parte das pessoas
ouvidas na pesquisa, é caracterizada pela grande utilização
de energia, podendo gerar sensação de desgaste generalizado sem
causa aparente e dificuldades com a memória, entre outras conseqüências.
Para eles, que citam diversos outros estudos a respeito, essa fase evidencia
uma tentativa automática de manter a homeostase interna, já que
haveria uma função da pele de revestir e delimitar o organismo,
protegendo-o de agentes externos e sendo fundamental na manutenção
do equilíbrio interno. Dessa forma, a pele seria uma intermediária
que buscaria manter algum equilíbrio entre os ambientes interno e exerno,
porém, "pode haver uma quebra da resistência se persistirem
os fatores estressantes em freqüência ou intensidade, podendo o indivíduo
passar para uma fase mais grave do stress. Desta forma, fica evidenciada a importância
de intervenções junto a esses pacientes, com o objetivo de ajudá-los
a controlar o stress, prevenindo situações mais sérias".
Os pesquisadores consideram também que, no caso de problemas de pele
mais facilmente perceptíveis (psoríase, por exemplo), o problema
pode amplificar o estresse do paciente, ao colocá-lo em situações
difícieis no ambiente social..
A intuição popular também considera há muito tempo
a relação entre estresse e problemas na pele. A questão
já era denunciada pela cantora Elis Regina, que no show Trem Azul, de
1981, dizia em tom de deboche para a platéia: "Cantar faz bem para
a pele".
Veja também:
Texto
do estudo na revista Estudos de Psicologia (Campinas), no site do Scielo
Palavras-chave:
Estresse, psicossomática, medicina, dermatologia
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