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Agência de Notícias Prometeu

11/02/2009
Pesquisadores denunciam imperialismo moral


Por meio de várias estratégias utilizadas por governos e indústrias dos Estados Unidos e de países europeus, o imperialismo moral está em pleno vigor na América Latina, inclusive no Brasil. Tais estratégias às vezes são explícitas, como o rompimento dos Estados Unidos com a Declaração de Helsinki (que regula os protocolos de pesquisas para medicamentos), acontecido em 2004, mas às vezes dissimuladas, como a política de parcerias com instituições de pesquisa dos países mais pobres ou por meio da adoção da metodologia de double standards, ou seja, com um tipo de protocolo válido para a aprovação da pesquisa no país sede, e outro alterado válido para a aplicação da pesquisa em países onde possam ser encontrados voluntários. A denúncia foi feita pelos pesquisadores Volnei Garrafa, da Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília (UnB) e Claudio Lorenzo, da Universidade Federal da Bahia (UFB) e foi publicada na revista Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O artigo aponta exemplos e revela estratégias para que haja a "importação de pacotes éticos" por países latino-americanos que permitam a realização de pesquisas em seres humanos em condições claramente desfavoráveis à própria saúde das pessoas pesquisadas. Cita, por exemplo, um estudo sobre 15 pesquisas nas quais se investigou na América Latina a transmissão de mulheres grávidas infectadas por HIV (aids) para os fetos. Nelas, foi dado placebo às mulheres que compunham o grupo-controle (medicamento inócuo, para que seu resultado pudesse ser comparado com o grupo que tomou o medicamento testado). Tais mulheres, portanto, deixaram de ser tratadas, embora houvesse medicamentos já testados e aprovados para o tratamento. Esse procedimento é vetado pela Declaração de Helsinki, embora seja apoiado pelas agências do governo norte-americano National Institutes of Health (NIH) e Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Cita ainda pesquisas feitas no estado do Amapá nas quais pessoas aceitaram ser picadas por mosquitos para uma investigação sobre a malária. Porém, havia dois protocolos, sendo um para utilização nos Estados Unidos e outro o que era mostrado para os voluntários, no qual eram omitidas informações a respeito de como se daria a exposição aos mosquitos. Tais pesquisas na Amapá foram denunciadas em 2005 pelo Conselho Nacional de Saúde.

O artigo denunciou também a adoção de protocolos paralelos ao de Helsinki, sem a aprovação de países menos desenvolvidos, que são permeáveis aos procedimentos éticos adotados para pesquisas financiadas por laboratórios dos Estados Unidos e da Europa, que permitem double standards.

Veja também:

Texto completo do artigo na revista Cadernos de Saúde Pública

 

Palavras-chave:
Bioética, medicamentos, medicina

 

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