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30/01/2009
Biocombustíveis não ameaçam alimentos, diz estudo da UnB
O argumento presente em grande parte dos discursos de organismos internacionais,
como o Banco Mundial, de que a alta do preço dos alimentos no mundo se
deve ao crescimento da área agrícola destinada a produção
de matéria-prima para biocombustíveis, não tem fundamento
se for comparado com os dados recentes sobre produção e áreas
plantadas no Brasil. Segudo estudo apresentado à Faculdade de Agronomia
e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB), a produção
brasileira das culturas básicas como de milho, arroz e feijão
cresceu entre os anos de 1995 e 2006, período em que se deu também
grande crescimento da produção destinada aos biocombustíveis.
A pesquisa verificou, também, que a produção de alimentos
aumentou sem que, para isso, houvesse crescimento de novas áreas plantadas.
O estudo é assinado pela pesquisadora e economista Isabel Murillo Hernandez,
mestre em Agronegócios pela UnB e funcionária do Ministério
da Agricultura do Equador.
Segundo o estudo, que
foi divulgado pela Secretaria de Comunicação da UnB, a produção
de milho aumentou de 36,2 milhões de toneladas para 42,6 milhões
em uma década, período em que a produtividade cresceu de 2,5 toneladas
por hectare (t/ha) para 3,2 t/ha. O espaço ocupado por essa lavoura,
que era de 14,1 milhões de hectares, diminuiu para 12,9 milhões
de hectares. Quanto à produção de arroz, foram colhidas
11,2 milhões de toneladas em 1995 e 11,5 milhões em 2006, com
aumento na produtividade, que era de 2,5 t/ha e foi para 3,8 t/ha. A área
utilizada passou de 4,4 milhões de hectares para 3 milhões hectares.
Quanto ao feijão, a produção foi de 2,9 milhões
de toneladas para 3,4 milhões. A produtividade subiu de 0,5 t/ha para
0,8 t/ha e a área necessária para o plantio também foi
menor, diminuindo de 5,3 milhões de hectares para 4,2 milhões
de hectares.
Tal produção, segundo a pesquisa, em nada confronta o crescimento
da produção destinada aos biocombustíveis no país.
Entre 1995 e 2006, a produção da soja dobrou, passando de 25,6
milhões de toneladas para 52,4 mi. A produtividade subiu de 2,1 para
2,3 t/ha, assim como a área plantada, que foi de 11,7 milhões
de hectares para 22 milhões. Já nas plantações de
cana-de-açúcar, a produção foi de 303,6 milhões
de toneladas em 1995 para 457,2 milhões em 2006; aprodutividade passou
de 65,4 t/ha para 73,9 t/ha; e a área de 4,6 milhões de hectares
para 6,1 milhões de hectares.
A pesquisa também verificou que, em todas as regiões do país,
houve diminuição das áreas destinadas a pastagens naturais
e a pastagens plantadas. Em parte, essas áreas foram assumidas pelas
culturas destinadas a biocombustíveis. Segundo a pesquisadora, a alta
dos alimentos teria uma explicação diversa daquela que atribui
a culpa aos biocombustíveis. Hernandez acredita que a própria
alta do petróleo, gerou elevação dos custos da produção
de alimentos.
Veja também:
Divulgação
desse estudo pela UnB
Palavras-chave:
Agricultura, agronegócio, biocombustíveis, economia global
Agência
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