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26/01/2009
Médicos desperdiçam informações sobre fatores de risco sociais para a depressão


As informações sociais que um hospital necessita para detectar se uma paciente está nos grupos de risco para ter depressão na gravidez ou no pós-parto são colhidas nos consultórios. Porém, os médicos não costumam utilizar essas informações para avaliar a depressão da mãe. Estas são algumas das conclusões de um estudo apresentado como dissertação de mestrado à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP) por Valéria Feitosa, enfermeira especialista em psiquiatria. A pesquisa acompanhou 47 mulheres durante o período de gestação e pós-parto numa unidade de atendimento a mulheres de baixa renda na cidade de Uberaba (MG). Verificou que metade delas teve depressão em algum momento durante o ciclo gravítico puerperal (51%). Na divisão por fases, 42,5% tiveram depressão durante a gestação e 30% durante o pós-parto. 21% das mulheres tiveram depressão nos dois momentos (gestação e puerpério).

A pesquisa também fez um levantamento de quais são os fatores sociais que indicam que a paciente está num grupo de risco para apresentar depressão. Segundo a pesquisa, divulgada pela Agência USP, na gestação, os fatores de risco são: estar grávida pela primeira ou segunda vez e não desejar a gestação. Já na depressão pós-parto, os fatores são: não ter religião, ter um companheiro desempregado, ter tido depressão na gestação, não receber suporte do Sistema Único de Saúde (SUS), não receber ajuda para cuidar do recém nascido e não receber ajuda do companheiro. São todas informações colhidas pelos médicos durante o atendimento, e que portanto, poderiam indicar a inserção da paciente no grupo de risco. Tal alerta é relevante porque são muito comuns ocorrências envolvendo a mãe ou o bebê em decorrência da depressão da mãe (pensamentos suicidas, atos de violência etc). Apesar disso, o estudo indica também que as gestantes com depressão apresentaram menos problemas na gestação e seus filhos nasceram com melhores pesos e estaturas. Elas também alimentavam seus filhos de forma mais apropriada à idade. Porém, também foi verificado que as gestantes com depressão mais leve ficariam mais ansiosas, o que as levaria a visitar mais vezes o médico. Além disso, as mulheres com depressão na gestação fizeram mais cesáreas e partos com maior duração. Elas e seus filhos tiveram mais doenças.

Para sua pesquisa, Feitosa comparou informações dadas pelas mães com dados médicos. As mulheres responderam a dois questionários (na gestação e e no pó-parto) sobre sua situação sócio-econômica e de saúde, e sobre a saúde do bebê. Além disso, preencheram um questionário específico para a avaliação da depressão. A pesquisadora defende a adoção, pelos hospitais, de questionários para avaliação da depressão nos vários momentos de atendimentos à mães, como uma forma de prevenir problemas, e alerta, em sua pesquisa, que há comportamentos-padrão que podem indicar o estado depressivo. Por exemplo: todas as gestantes pesquisadas que não desejaram a gravidez tiveram sintomas de depressão durante a gestação. Ou ainda: as mulheres depressivas faziam todas as consultas sozinhas. A pesquisadora defende que, embora sejam estas questões de cunho social, elas são interferentes no processo do nascimento e não podem passar ao largo dos consultórios.

 

Veja também:

Divulgação do estudo pela Agência USP

Íntegra do estudo no banco de teses e dissertações da USP

 

Palavras-chave:
Medicina, ginecologia, obstetrícia, depressão, gravidez, puerpério, psiquiatria

 

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