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21/01/2009
A chave do sucesso das formigas invasoras: elas esquecem as rivalidades
Pesquisadores da Universitat Autonoma de Barcelona (UAB) acreditam ter descoberto
o motivo para o sucesso das espécies de formigas invasoras, que causam
diversos tipos de problemas nos ambientes agrícolas e urbanos quando
assumem grandes áreas, geralmente se tornando pragas com a formação
de milhares de ninhos próximos: elas realizam acordos entre colônias
rivais e, pela invasão da área, passam a colaborar entre si, integrando
sua ação de forma pouco usual entre formigas, formando, na prática,
uma super colônia. Segundo os pesquisadores, as formigas invasoras contam
com mais de uma rainha por colônia, sendo que as novas ficam aguardando
a formação de sua própria colônia em local próximo.
A pesquisa, publicada
em dezembro na revista PLoS ONE, é o resultado da primeira pesquisa
em larga escala sobre a espécie de formiga invasora Lasius
neglectus, que foi comparada com a espécie similar, porém
não-invasora, Lasius turcicus (as duas espécies semelhantes às
formigas pretas de jardim, porém ligeiramente menores e mais brilhantes).
A pesquisa contou com a colaboração de vinte pesquisadores, entre
eles Xavier Espadaler, da UAB e do Centre de Recerca Ecologica i Aplicacions
Florestal (CREAF). A pesquisa
foi feita em conjunto por especialistas nas áreas de comportamento animal,
morfologia, genética e biologia.
O trabalho em conjunto permitiu detectar, por exemplo, o mapeamento de genes
que podem ter relacionamento com o comportamento invasivo, e a verificação
de que a espécie não-invasora também possui essas características
genéticas, embora não se manifestem. As estratégias de
invasão também foram mapeadas, e geralmente acontecem algumas
formigas investigam novos territórios (possivelmente transportadas por
seres humanos) e as espécies nativas desse local a ser invadido não
conseguem articular-se em tempo suficiente para combater as invasoras. O sucesso
da invasão seria a combinação de fatores como uma ação
parasita e um sistema que permite as pré-adaptações das
rainhas de novas colônias. Apesar disso, os pesquisadores não conseguiram
detectar exatamente como se dá a colaboração entre as colônias,
que propicia a invasão e amplia o potencial destrutivo dessas espécies.
Não se sabe ainda se a iniciativa é uma atitude planejada nas
próprias colônias antes do início da invasão ou se
acontece depois que mais de uma colônia se encontra no local. Outra hipótese
levantada é que tal colaboração poderia ter origem numa
mutação genética de uma pequenas partes das populações
invasoras.
Veja também:
Íntegra
do estudo na revista PLoS ONE
Palavras-chave:
Botânica, agricultura, biologia, genética, comportamento animal
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