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16/01/2009
Ascenção e crise da tequila
A tequila, bebida mexicana feita com agave azul, uma planta aparentada ao sisal
conhecido no Brasil, nunca viveu um momento tão paradoxal. A bebida e
seus derivados nunca estiveram tão presentes fora do México. Segundo
pesquisas recentes, a marguerita, drinque feito com tequila, é uma das
bebibas mais consumidas não só no México, mas também
nos Estados Unidos e no Canadá. O produto vive seu maior boom de consumo,
e sua produção mundial já dobrou só entre os anos
de 1995 e 2005, por exemplo. Esse grande crescimento da demanda gerou a falta
da tequila no mercado e o consequente aumento do preço da bebida. As
indústrias produtoras e os comerciantes vivem a situação
de ter um grande mercado consumidor reprimido pelos preços exorbitantes
do produto.
Esse contexto está gerando críticas de especialistas norte-americanos
às regras internacionais de comérico. A tequila é um produto
GI, o que na designação do comércio internacional denomina
produtos que têm indicação geográfica, ou seja, só
pode ser considerada tequila a bebida que é produzida numa determinada
região do México (estado de Jalisco e partes de outros quatro
estados). Com a falta do produto, as indústrias passaram a iniciar a
sua própria produção de agave azul, ou então a recorrer
a produtores novos e independentes dos círculos traducionais de produção.
Porém, a planta tem muitas idiossincrasias e leva de seis a nove anos
para atingir o ponto de colheita. A utilização indevida, como
a poda antecipada do agave, e o apressamento da produção está
levanto a uma disseminação nunca vista antes de pragas. Além
disso, tem crescido muito a utilização de pesticidas, fertilizantes
e outros produtos químicos na produção do agave, o que
gera restrições de parte do mercado que antes era fiel.
A situação social e econômica gerada por este contexto
foi avaliada
por pesquisadores da North Carolina State University (EUA) e publicada
na edição de janeiro da revista Journal of Rural Studies.
O estudo é assinado por Sarah Bowena, da North Carolina State University,
e Ana Valenzuela Zapatab, da Universidad de Guadalajara. Segundo os pesquisadores,
paradoxalmente, a ampliação do consumo da tequila está
causando insegurança econômica entre os produtores mexicanos. Eles
concluem que há ausência de autosustentabilidade socioeconômica
e ambiental na produção de agave azul. Concluem também
que a legislação que estabelece produtos com indicação
geográfica falha ao focar apenas a reserva de mercado sem conter também
mecanismos que prevejam e garantam a sustentabilidade da produção.
Veja também:
Resumo
desse estudo na revista Journal of Rural Studies
Divulgação
desse estudo pela North Carolina State University
Receita
do drinque Marguerita
Palavras-chave:
Agricultura, comércio internacional, culinária, relações internacionais
Agência
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