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08/01/2009
O predomínio do marketing: práticas das empresas de ecoturismo não correspondem à imagem divulgada
A realização de programas ecológicos, área turística
que mais cresce em todo o mundo, envolve diversas sensações nos
turistas, entre elas a de descarregar uma certa culpa pela ação
poluente vivida nas cidades grandes, além de viver emoções
incomuns e apreciar a natureza. Porém, a resposta que o mercado de turismo
dá a estas demandas está aquém do que seria o desejado
num contexto que possa ser considerado tecnicamente ecológico. As operadoras
de viagens e dos ambientes turísticos utilizam pouco a disseminação
da consciência ambientalista, têm uma visão de educação
ambiental muito próxima à da educação formal (acreditando
que a mera distribuição de manuais e outros conteúdos impressos
educa) e geralmente separam as ações de consciência ecológica
dos momentos de diversão e lazer. Além disso, esforçam-se
por produzir uma subjetividade consumista entre os participantes do processo.
Estas são algumas das conclusões de um estudo apresentado
como dissertação de mestrado pelo professor Hélio Hintze
à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade
de São Paulo (USP).
O estudo verificou que a pulverização do ecoturismo em sua utilização
pelo mercado gera uma imprecisão semântica e um deslocamento conceitual
sobre o que realmente é esta atividade. Se forem considerados todos os
detalhes que, segundo a academia, define o ecoturismo, os próprios operadores
ouvidos pelo pesquisador admitem que isso não se encaixa no que fazem.
O que estaria havendo seria uma apropriação do termo "eco"
para que se promova algo que é na verdade muito parecido com o que sempre
se fez. O diferencial é que a atividade rotulada desta forma oferece
"um sedativo para a consciência das classes médias",
diz o texto do estudo.
Segundo Hintze, que analisou o material de agências de ecoturismo da
cidade de São Paulo, além de promover entrevistas com os agentes
e diretores das empresas, poucas coisas no turismo ecológico, além
do local escolhido para ser o cenário das atividades, o diferenciam do
turismo convencional. Atua, desta forma, como um tipo de reafirmação
do mercade de turismo convencional, porém atribuindo-lhe novos significados.
O pesquisador considera irônica, por exemplo, a inclusão do "dia
livre" nos programas ecoturistas. Ele declarou à Agência USP
de notícias que "Se o ecoturismo é uma atividade praticada
no tempo livre das pessoas, como é possível haver um dia livre
na programação? Para além da ironia, tal dia tem a função
de período no qual se pode vender uma programação local
não incluída no pacote original".
Veja também:
Divulgação
desse estudo na Agência USP
Íntegra dessa dissertação
na Biblioteca Digital da USP (busque pela palavra "Hintze")
Palavras-chave:
Turismo, ecoturismo, consumo ecológico, ecologia, mercado
Agência
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