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06/01/2009
Ações e sentimentos podem ser contagiosos, como um vírus


Um amigo seu que more a menos de uma milha (1,6 km) e que se manifeste feliz com algo, amplia a sua possibilidade de se tornar feliz em 25%. Se for seu vizinho, suas chances de também se sentir feliz aumentam em 34%. Se for seu marido ou sua esposa que seja tomado pela felicidade e a manifeste, sua possibilidade de se tornar feliz também aumenta, mas menos, 8%. Estas são algumas das conclusões de um estudo feito com 4.739 pessoas, que foram acompanhadas por vinte anos (entre 1983 e 2003) na cidade de Framingham (estado de Massachusetts, EUA). Esta pesquisa é parte de outra mais ampla, que está sendo realizada na cidade desde 1948, sobre prevenção contra problemas cardiovasculares. O trabalho é assinado por James H. Fowler, professor da University of California (em San Diego, USA), e Nicholas A. Christakis, professor da Harvard Medical School (USA) e foi publicado na edição de 4 de dezembro do British Medical Journal (BMJ 2008;337:a2338). O estudo também foi divulgado pelo site da revista New Scientist em 30 de dezembro.

Os pesquisadores puderam constatar que a extensão do "contágio" pode se ampliar até três graus de separação (o amigo do amigo de um amigo seu, por exemplo). Verificou-se também que se formam grupos de pessoas consideradas tecnicamente felizes e que esses grupos não se devem à tendência das pessoas em se relacionar com outras que são parecidas com elas, mas sim a um tipo de disseminação de um sentimento entre o grupo. Eles concluem que a felicidade de uma pessoa depende da felicidade daqueles com os quais ela convive, e que portanto a felicidade é um fenômeno coletivo. Porém, este fenômeno estaria em pleno movimento no ambiente social, sendo totalmente independente dos amigos que se escolhe para conviver. A freqüência com que se dá o contato e a força do relacionamento também são variáveis consideradas relevantes pelos pesquisadores.

Uma das explicações possíveis para este fenômeno, citada pela New Scientist, é a ação dos "neurônios-espelho", grupo de células cerebrais que são ativadas quando um ser humano faz exatamente o mesmo que outra pessoa.


Veja também:

Resumo desse estudo na revista British Medical Journal

Divulgação desse estudo na revista New Scientist

Palavras-chave:
Alegria, felicidade humana, contágio emocional, psicologia, psicanálise, sociologia

 

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