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05/01/2009
Artigos de autores latino-americanos em revistas científicas têm menos citações do que estudos similares dos países mais desenvolvidos
O número de citações de trabalhos científicos,
um dos critérios geralmente utilizados por agências de fomento
e governos na destinação de verbas a grupos de pesquisas
científicas, é injusto com autores latino-americanos. O número
de citações que os autores destes países recebem, mesmo
tendo publicado em revistas de grande prestígio internacional, é
menor do que o número de citações de autores de países
mais desenvolvidos publicados nas mesmas revistas. Esta é uma das conclusões
de um estudo divulgado
pelo site da revista PLoS ONE Journal Information, pertencente à
instituição Public Library of Science (PLoS - www.plos.org). O
artigo é assinado por Rogerio Meneghini, Abel L. Packer e Lilian Nassi-Calò,
pesquisadores da BIREME (Biblioteca Virtual em Saúde), ligada à
Organização Mundial de Saúde (OMS), em São Paulo.
Os pesquisadores mediram o fator de impacto (IF, na sigla em inglês) dos
artigos publicados por cientistas do Brasil, Chile, Argentina e México.
Foram avaliados os artigos publicados em seis revistas de grande prestigio em
suas áreas (Astrophysical Journal, Chemistry of Materials, Journal of
the American Chemical Society, Journal of Biological Chemistry, Journal of Immunology,
Physical Review Letters) e em uma revista multidisciplinar, a também
prestigiosa Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA. Foram
criadas duas categorias para a avaliação: uma a de artigos apenas
de autores latino-americanos (219 artigos), e outra que envolvia este primeiro
grupo mais aqueles artigos escritos por autores latino-americanos em colaboração
com outros autores de países mais desenvolvidos (1.244 artigos).
Concluiu-se que, quando os artigos estavam na primeira categoria (apenas autores
latino-americanos), o fator de impacto (IF) era bem inferior. Enquanto que o
IF médio para todas as revistas avaliadas era de 5,93 e o IF de artigos
feitos em colaboração e sem colaboração com países
mais desenvolvidos era de 5,04; o IF para artigos feitos apenas por autores
latino-americanos chegou a apenas 3,38. Para que seja possível uma comparação
com os artigos escritos por autores de países desenvolvidos, foi feito
o mesmo levantamento para artigos escritos por autores da Inglaterra, França,
Alemanha, Japão e Estados Unidos, criando-se para eles as mesmas duas
categorias. Desta vez concluiu-se que é insignificante a diferença
de IF, sendo até mais elevado do que a média das revistas (que
é de 5,93): o IF foi de 6.36 (para artigos em colaboração
com mais desenvolvidos e sem colaboração) e de 5,73 (para artigos
sem colaboração).
Os autores do estudo não encontraram uma justificativa clara para que
os artigos assinados apenas por autores latino-americanos sejam menos citados,
já que todos os artigos (latino-americanos e de países mais desenvolvidos)
foram igualmente publicados em revistas de grande prestígio. Porém,
especula algumas possibilidades, de ordem tanto social quanto psicológica.
Entre eles o preconceito contra autores provenientes destas localidades, embora
admitam que para se confirmar esta conclusão seriam necessários
mais estudos com revisão por pares comparando a qualidade dos artigos
avaliados. Para que se considere o resultado como o flagrante de preconceito,
teria que ser considerada antes a possibilidade (de dificil apuração
sem um estudo específico sobre isso) de que os artigos latino-americanos
pudessem ter menos qualidade do que os demais.
Essa diferença não explicada tem potencial para causar graves
danos à pesquisa realizada na América Latina, já que o
número de citações é um dos critérios internacionais
mais utilizados para definições com relação à
destinação de verbas para a pesquisa científica. Veja também
artigo de Lea Velho a respeito
da discriminação sobre autores de países mais pobres que
ocorre em rankings cientificos como o SCI, uma das bases de dados mais utilizadas
para apuração de citações.
Veja também:
Divulgação
desse estudo na revista PLoS ONE
Estudo de Léa Velho
sobre discriminação da pesquisa feitas em países mais pobres
Palavras-chave:
Rankings científicos, disciminação da ciência, sociologia da ciência, pesquisa científica, métrica científica
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