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Prometeu

12/11/2008
Motivos atribuídos por estudantes para seu desempenho escolar são passionais. Homens se acham inteligentes. Mulheres, esforçadas.


Para estudantes, o esforço é sempre o maior motivo pelo sucesso escolar e, conforme vão crescendo, a base de conhecimentos que têm também ganha espaço entre os motivos por boas notas. Mas quando acontece algum fracasso, a responsabilidade recai sempre sobre a falta de métodos apropriados de estudo. Essas explicações seletivas para notas e desempenhos, que deixam transparecer um viés passional na análise do próprio rendimento escolar, são coisas com as quais concordam estudantes dos dois sexos.

Quanto às discordâncias entre os sexos nas avaliações de desempenho, os estudantes do sexo masculino, ao explicar o sucesso, citam mais sua capacidade intelectual do que as meninas, enquanto que elas citam mais o esforço e as bases de conhecimento do que os meninos (foi pedido a todos que explicassem seu desempenho, seja ele bom ou ruim, encolhendo entre seis motivos: esforço, bases de conhecimento, ajuda do professor, sorte, capacidade e métodos de estudo).

Outro detalhe que não passou despercebido pelos pesquisadores: entre os fatores que explicariam os fracassos escolares, vai perdendo espaço, conforme se ouve estudantes mais velhos, a atribuição de motivos à própria capacidade intelectual. Essa mudança deve-se, segundo avalia a pesquisa, a um tipo de proteção da auto-estima da criança. Segundo o estudo, os resultados permitem avaliar que "alunos mais fragilizados em termos de rendimento escolar devem ser ajudados pelos professores a lerem os seus sucessos e os seus fracassos mais numa lógica do método e volume de trabalho escolar do que na sua capacidade cognitiva". Os pesquisadores acreditam que a busca de motivos pelo rendimento bom ou ruim faz muita diferença neste próprio rendimento. Afirmam que, para melhorar a motivação dos alunos, por exemplo, "é importante que estes saibam atribuir tanto os seus êxitos como fracassos ao nível de esforço envolvido na realização das tarefas, entendendo o esforço como uma causa interna, instável e controlável. Obviamente, enfatizando o esforço, os alunos acabam por aprender a valorizar o uso adequado de estratégias de aprendizagem".

A pesquisa foi realizada junto a 868 alunos de 5º ao 9º ano de escolaridade do ensino público, de quatro escolas do distrito do Porto (Portugal), com idades entre 9 anos e 17 anos. A equipe foi coordenada por Leandro da Silva Almeida e contou com pesquisadores da Universidade do Minho (Portugal) e Universidade de Santiago de Compostela (Espanha). O trabalho foi publicado na revista Estudos de Psicologia (Campinas), vol. 25, n.2.

Veja também:

Publicação dese estudo na Revista Estudos de Psicologia (Campinas)

Divulgação dese estudo na revista Pesquisa Fapesp Online

Palavras-chave:
Pedagogia, auto-imagem, rendimento escolar, cognição

 

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