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25/08/2008
Perfil do grupo interfere na vontade humana de colaborar
A cobrança por parte de amigos interfere no grau de generosidade de
crianças. Quanto mais os amigos monitoram suas atitudes, mais elas tendem
a tentar parecer generosas com as outras. A pesquisadora Maria Emilia Yamamoto,
do Centro de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
chegou a esta conclusão avaliando o comportamento de crianças
e o quanto elas estão dispostas a ceder ao egoísmo ou a cuidar
do benefício comum. Foram criados vários grupos de crianças
divididos por sexo e por tamanho do grupo. Eram oferecidos chocolates às
crianças (três para cada uma) e a elas era dada a opção
de ficarem com eles ou de doarem os chocolates a um fundo comum da classe. A
decisão precisava ser tomada atrás de um biombo, individualmente
e em segredo. O detalhe relevante é que, segundo regras que eram reveladas
às crianças, a cada chocolate doado, mais dois eram acrescentados
ao fundo comum, que depois seria dividido com toda a classe, ou seja, do ponto
de vista coletivo, era vantagem que todos doassem chocolates. Os resultados,
porém, mostraram um recorte interessante: a generosidade foi maior em
grupos pequenos, onde as ações das crianças eram mais facilmente
monitorados pelos colegas de classe.
"A cooperação caía rapidamente, revelando que o egoísmo
prevalece, quando o indivíduo não percebe um ambiente propício
para a cooperação", afirmou a pesquisadora ao site Toque
da Ciência, que divulgou o estudo. "A decisão sobre cooperar
ou não está sob controle do grupo social. Em grupos cooperativos,
a cooperação é vantajosa, mas deixa de sê-lo quando
a maioria não coopera.", afirmou Yamamoto. O artigo foi publicado
na edição de janeiro de 2008 da revista Evolution
and Human Behavior.
Veja também:
Resumo
do estudo na revista Evolution and Human Behaior
Divulgação
do estudo no site Toque de Ciência
Palavras-chave:
Antropologia social, ecologia comportamental, behaviorismo, darwinismo, etnologia, filantropia
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