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Agência de Notícias Prometeu

12/07/2008
Ideologia interfere no julgamento da ciência


Por mais que se submeta a protocolos formais que visem a produção de informações comprováveis, acima de qualquer suspeita, a ciência não escapa à subjetividade humana. As informações sobre um tema científico são julgadas de acordo com a ideologia de cada pessoa, dependendo de quem transmite a informação ou de quem defende ou critica a novidade. Há preconceito e parcialidade tanto para quem dispõe de informações quanto para quem tem poucas informações a respeito do tema. Esses são alguns dos resultados de uma pesquisa concluída em fevereiro deste ano e divulgada pelo site Social Science Research Network.

Os pesquisadores ouviram a opinião de 1.600 pessoas (norte-americanos adultos) sobre uma área específica da ciência, a nanotecnologia. Para metade deles, foram expostos alguns detalhes sobre o que é a nanotecnolgia e foram pedidas suas opiniões a respeito do nível de risco para o ser humano no uso dessas tecnologias. Para a segunda metade, foi adotado o mesmo procedimento, porém acrescentando-se a apresentação dos argumentos pró e contra de supostos "especialistas" no tema. Esses "especialistas" tinham posições claramente identificáveis (conservador, liberal, elitista, solidário etc), ou insinuadas (um deles tinha um biótipo muito parecido com o de um árabe, por exemplo). As pessoas que responderam às questões foram divididas em variáveis como sexo, renda, raça, idade, preocupação com ecologia, conhecimento anterior sobre o tema, partido político em que votam, posições sobre solidariedade social, liberalismo etc.

Entre as conclusões do estudo, verificou-se que os entrevistados que tinham posições bem claras (muito preocupados ou nada preocupados com a questão ambiental, por exemplo) mantinham suas posições quando na primeira metade (os que não ouviram os "especialistas"). Porém, quando expostos ao conjunto de argumentações, se tornaram ainda mais radicais em suas posições . Existiria uma pré-disposição cultural para aceitar alguns argumentos e para rejeitar outros. "As pessoas tendem a acreditar naqueles que têm mesma visão do contexto que a deles próprios", afirmaram os autores do estudo.
Uma das maiores discrepâncias verificadas pelo estudo aconteceu com os grupos classificados como "hierarquistas" e "igualitários". Para os primeiros, o risco da nanotecnologia manteve-se parecido em todos os recortes. Porém, para os "igualitários", os riscos da nanotecnologia dispararam para acima do outro grupo quando expostos a argumentos conservadores ou elitistas, e despencaram para bem abaixo dos demais quando expostos a argumentos de "especialistas" liberais e igualitários, assim como eles próprios.

O estudo foi feito, entre outros, por Dan M. Kahan, da Yale University, e Paul Slovic, da University of Oregon. Também foi tema de editorial assinado por Pietro Greco na revista Journal of Science Communication, edição de junho de 2008.


Veja também:

Divulgação do estudo no site Social Science Research Network

Palavras-chave:
Filosofia da Ciência, credibilidade, verdade, fantasia, crença

 

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