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20/05/2008
Ciência gaiata: 15% dos estudos publicados sobre antidepressivos forçam a barra para sugerir eficácia


Muitos estudos sobre antidepressivos publicados em revistas científicas são "turbinados" de modo a transmitir uma eficácia maior do medicamento pesquisado. De acordo com a literatura científica, 94% dos estudos conduzidos trazem resultados positivos para os medicamentos. Porém, quando esses mesmos estudos são vistos sob os critérios da Food and Drug Administration (FDA), órgão de vigilância sobre produtos médicos dos Estados Unidos, os resultados positivos caem para 51% dos estudos. De modo geral, quando os estudos chegam às publicações científicas, o nível de eficiência dos medicamentos cresce em média um terço (32%) na comparação com uma análise dos mesmos estudos feita com critérios da FDA.

Este é o resultado de uma meta-análise publicada na edição de 17 de janeiro (Volume 358:252-260) da revista New England Journal of Medicine. Foram avaliados 74 estudos registrados na FDA, referentes a doze diferentes antidepressivos, que envolveram 12.564 pacientes, e comparadas as avaliações deste órgão com os artigos publicados sobre eles em revistas científicas. Onze estudos (15%) publicados foram considerados pelos autores como tendo utilizado critérios ou divulgado resultados que dão a entender uma eficiência maior do que aquela a que se chegou de acordo com os critérios da FDA. Dos 74 estudos, 31% (referentes a 3.449 pacientes) não foram publicados Dos 38 estudos que pelos critérios da FDA têm bons resultados para os medicamentos, apenas um não foi publicado. Os demais 36 estudos foram considerados como tendo resultados negativos para os medicamentos ou questionáveis do ponto de vista dos critérios utilizados, sendo que apenas três deles parecem não "forçar a barra".

Erick H. Turner, professor do Departamento de Psiquiatria da Oregon Health and Science University e um dos autores do estudo, acredita que há pouco acesso dos pesquisadores aos estudos sobre esse tipo de medicamentos, inclusive dentro da FDA, e que muitos utilizam metodologias erradas, como a priorização da avaliação da eficácia meramente estatística na comparação com o placebo (medicamento simulado, sem efeito), em vez da apuração da eficácia clínica de um medicamento.

Veja também:

Resumo do estudo na New England Journal of Medicine

E-mail de Erick Turner

Site da Oregon Health and Science University

Artigo do autor do estudo em que ele discute a questão da eficácia dos antidepressivos

Palavras-chave:
Antidepressivos ; depressão ; medicamentos ; medicina ; literatura médica ; revisão por pares ; psiquiatria

 

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