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24/07/2007
Uma pessoa se suicida a cada 40 segundos


É possível adotar medidas preventivas contra o suicídio? Haveria um grupo de risco bem definido que possa adotá-las? Os pesquisadores reunidos até o início de julho em Belo Horizonte (MG) para o II Congresso da Associação de Suicidologia da América Latina e o Caribe, acreditam que sim, e que é urgente adotá-las. Segundo o presidente do Congresso, Humberto Corrêa da Silva Filho, que também é Chefe do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG ), com base em pesquisas da Organização Mundial de Saúde, cerca de um milhão de pessoas se suicidam por ano, o que dá 16 para cada 100.000 habitantes no mundo, ou um suicídio a cada 40 segundos. O suicídio "provoca mais mortes do que as guerras, acidentes automobilísticos e homicídios somados. São números chocantes", afirma Humberto Corrêa na apresentação do site do evento .

Um dos temas principais do congresso é a prevenção. Os pesquisadores acreditam que há ainda um grande tabu referente a este problema, o que evita a divulgação de informações e o reconhecimento dele como um problema maior de saúde pública. Esta ausência de discussões sobre o tema é ruim porque o suicídio é um problema que vem crescendo. Segundo divulgação do evento feito pela UFMG (citando como fonte o manual "Prevenção do suicídio", feito pelo Ministério da Saúde em 2006 e dirigido a profissionais de Saúde, a taxa de mortalidade por suicídios no Brasil, de 4,5/100.000 habitantes, é considerada baixa, mas existem estados e municípios que apresentam taxas duas vezes superiores à média nacional, como, por exemplo, o estado do Rio Grande do Sul (9,8/100.000), onde, em determinadas faixas etárias, as taxas chegam a 30,2/100.000. Em números absolutos, no cenário mundial estamos entre os dez países com mais alto número de suicídios no mundo.

Mais dados divulgados pela UFMG: Nos últimos 45 anos as taxas de suicídio aumentaram 60% em todo o mundo. O suicídio é agora uma das três causas mais freqüentes de morte entre homens e mulheres entre 15 e 44 anos. Tradicionalmente as taxas de suicídio eram maiores entre homens idosos. No entanto, as taxas entre pessoas jovens têm aumentado a ponto deste grupo ser o de mais elevado risco, em um terço dos países. As desordens mentais (particularmente depressão e abuso de substâncias químicas), estão associadas a mais de 90% de todos os casos de suicídio, entretanto o suicídio resulta de vários fatores socioculturais complexos e é mais provável ocorrer particularmente durante períodos de crise da família ou individuais, como por exemplo, a perda de um amor, do emprego, "da honra".

No Congresso, foi prevista a exposição de pesquisadores como Mônica Vasconcellos Cruvinel (Unicamp), que estudou comunidades no site de relacionamento Orkut que recolhem depoimentos de pessoas que se suicidaram. Também houve uma mesa redonda sobre o comportamento da mídia com relação ao tema.

Veja também:

Assessoria de imprensa da UFMG
Página da Organização Mundial de Saúde sobre suicídio (com dados estatísticos e mapeamento do problema no mundo)

 

Palavras-chave:
Suicídio, suicidologia, doenças mentais , depressão , drogas

 

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