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Agência de Notícias Prometeu

06/12/2001
Número de cesarianas duplica em doze anos


O número de partos cirúrgicos, por meio dos quais se retira um bebê da barriga da mãe cortando-se o abdome, na operação chamada cesariana, quase dobrou num período de doze anos que vai de 1985 a 1997. Esta é uma das conclusões de um estudo que analisou aleatoriamente 12.440 partos ocorridos em 29 hospitais das redes pública e privada na cidade de São Paulo entre os anos de 1995 e 1997, feito pela pediatra Maria Sylvia de Souza Vitalle, apresentado como tese de doutorado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e divulgado pelo Jornal da Paulista. A pediatra comparou os resultados com outro estudo feito em 1985 sob a coordenação de Fernando José de Nóbrega, professor aposentado da Unifesp e atual coordenador de pesquisa em nutrição humana do Hospital Israelita Albert Einstein.

Na pesquisa de 1985, verificou-se como ocorreram cerca de 100 mil partos em todo o país, sendo 31 mil em São Paulo. Destes, só 35% foram feitos por cirurgia de cesariana, enquanto 56,7% foram normais. Já na pesquisa de Maria Sylvia, o percentual de cesarianas saltou para cerca de 60%, sendo a maior parte feito pelas classes sociais mais altas (77,8% deles). Os partos normais (por via vaginal) foram apenas 35% do total.

O grande volume de partos do tipo cesárea, segundo a pesquisadora, deve-se em parte ao conforto que proporciona ao profissional médico, já que se trata de uma cirurgia com hora marcada e geralmente mais rápida que o parto normal, quando a mãe passa pelo "trabalho de parto", uma série de contrações durante as quais as mães transmitem diversas substâncias químicas ao bebê. A eliminação dessa etapa importante é uma das principais críticas à cesariana. Um outro estudo realizado por pesquisadores brasileiros e americanos e publicado no British Medical Journal concluiu que o elevado número de partos por cesariana contraria a vontade das próprias mães, sendo determinado principalmente pelos profissionais médicos. O crescimentos de partos do tipo tem preocupado entidades médicas. Alguns conselhos regionais de medicina já chegam a falar em "epidemia" de cesarianas no Brasil e a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza como volume ideal de partos cesariana apenas 15% do total.


Veja também:


Conselho Regional de Medicina de São Paulo

Palavras-chave:
Cesariana, cesárea, obstetrícia

 

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