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17/09/2001
Estudo discute lógica comercial na religião


Duas coisas inovaram a Igreja Católica brasileira na década de 90 e marcaram sua relação com seus adeptos: uma "renovação popularizante" baseada entre outras coisas na valorização da corrente da renovação carismática e da missa-espetáculo com padres cantores como Marcelo Rossi, de São Paulo; e o recurso ao marketing profissional, com o surgimento de organizações empresariais voltadas para a comunicação social e para o marketing católico, entre as quais se destacam a Associação do Senhor Jesus (Valinhos - SP), a Rádio e TV Canção Nova (Cachoeira Paulista - SP) e a Milícia de Maria (Santo André - SP). Este é o contexto avaliado em um estudo de André Ricardo de Souza, mestre e doutorando em Sociologia na Universidade de São Paulo (USP). O trabalho foi apresentado como dissertação de mestrado à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP sob orientação de Reginaldo Prandi.

Impressionou o pesquisador "a magnitude e a rapidez com que essa lógica comercial de racionalidade econômica penetrou na Igreja Católica, outrora bastante marcada pelo engajamento político de esquerda", disse ele em entrevista por email a Prometeu. Esse fenômeno, uma resposta ao crescimento do neopentecostalismo e de igrejas como a Universal do Reino de Deus, grande usuária da mídia e do marketing religioso, é fruto de uma complexa rede de ações que não tem uma só cara. Os padres cantores, por exemplo, não se dizem membros da corrente da renovação carismática, que já existia com força na década de 80.

A "volta dos católicos" à igreja, festejada pelo entusiastas desse movimento de popularização, é relativizada no estudo. Uma pesquisa feita com 270 frequentadores de missas celebradas pelo padre Marcelo Rossi, em São Paulo, verificou que 16% passaram a frequentar as missas católicas depois do sucesso do padre e apenas 8% tinham frequentado outra religião antes. "Esses dados indicam uma atração de católicos para a igreja, mas não uma volta efetiva, tal como tem sido propalado por Marcelo Rossi", afirmou o pesquisador. Sua pesquisa também apurou que, nas missas-espetáculo, 73% dos participantes eram do sexo feminino, 67% já tinham participado das missas do padre duas vezes pelo menos e 77% sempre foram católicos.

Para André de Souza, embora a Igreja Católica tenha "corrido atrás do prejuízo" na úlima década, copiando deliberadamente algumas práticas pentecostais, ela não estaria passiva em sua relação com a "concorrência". A criação de portais na internet e a contratação de profissionais de marketing podem configurar a aberturas de novas frentes, nas quais os católicos podem obter vantagens na comparação com as demais igrejas.



Veja também:


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Palavras-chave:
Religião, renovação carismática, Igreja Católica, sociologia, fé, catolicismo

 

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